2º Fórum PTPC assinalou um ano de atividade em rede

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A necessidade de alavancar o elevado potencial, humano e de conhecimento, nacional e a inevitabilidade da entrada da Construção na economia global, processo a que é indispensável a competitividade foram algumas das ideias defendidas no 2º Fórum PTPC, evento com que a Plataforma Tecnológica para a Construção assinalou, no passado dia 21 de fevereiro, o seu primeiro ano de existência.
Subordinado ao tema “Tecnologias da Construção na resposta a novos desafios”, o encontro contou com a participação de ilustres oradores, que analisaram as exigências tecnológicas que as indústrias a montante e os mercados externos vão colocar à Construção, na tentativa de identificar fatores de diferenciação que aumentem a competitividade do Setor e lhe permitam a expansão para mercados tecnologicamente mais desenvolvidos e com menores riscos de negócio.

Na ocasião, Rita Moura, presidente da PTPC, sublinhou o “bom exemplo de cooperação entre empresas, universidades e centros de investigação”, que, independentemente do seu curto período de vida, a Plataforma já representa, mas acentuou a importância de esta iniciativa envolver, além das empresas de construção, várias entidades públicas e privadas, de natureza administrativa, académica e científica, nomeadamente do SCTN-Sistema Científico e Tecnológico Nacional, e, assim, “alavancar o elevado potencial de recursos humanos e de conhecimento que reconhecidamente existe no País”.
 
Carlos Pina, presidente do LNEC, a quem, conjuntamente com Rita Moura, coube a abertura e enquadramento da sessão, acrescentou, por seu turno, que é também importante “aumentar as capacidades dos diferentes atores nesta área, com o objetivo de aproximar Portugal da indústria europeia”.
 
Na mesa redonda que se seguiu, moderada pelo vice-presidente do InCI, Fernando Silva, e durante a qual foram então debatidas as “Tecnologias da Construção na resposta a novos desafios”, a eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves reconheceu que a Plataforma é “fundamental” para ajudar o setor português da Construção “a ser recebido e mais bem percepcionado junto dos responsáveis europeus”. A representante do Parlamento Europeu, recordou a propósito a Estratégia 2020, política que norteia “a economia em que hoje vivemos, baseada no conhecimento e na inovação, assim como, nos recursos tecnológicos”. Motivo suficiente para que se perceba que “a aposta nas tecnologias e na inovação é uma aposta claramente ganha”.
 
Enquanto Luís Mira Amaral, da SPI-Sociedade Portuguesa de Inovação, defendeu que “o setor da Construção tem, obrigatoriamente, de se virar para o exterior e entrar na economia global”, o professor catedrático do Instituto Superior Técnico, Luís Valadares Tavares, considerou que “a competitividade é determinante neste Setor” e que, para ser alcançada, a «tecnologia e a inovação são condições essenciais”. Reconhecendo que a inovação pode ser conseguida em diferentes níveis, “desde logo nos produtos e nos processos, mas também na contratação”, este responsável admitiu que, em Portugal, o binómio universidade-indústria já funciona muito bem, ao contrário do triângulo universidade-indústria-cliente e que este é “um cenário que tem de mudar rapidamente”.
 
Ainda neste painel foram partilhados dois casos de “bons exemplos” de projetos desenvolvidos a nível nacional. Nuno Ribeiro Ferreira, diretor de Recursos Humanos da ANA-Aeroportos de Portugal, apresentou “a plataforma colaborativa de business-to-employee”, que ganhou recentemente, nos EUA, o prémio de melhor plataforma colaborativa do mundo, e António Vidigal falou da distinção recebida pela empresa a que preside, a EDP Inovação, devido “à boa forma como utiliza a tecnologia” e que lhe valeu o prémio da “elétrica mais sustentável do mundo”.
 
Na qualidade de representantes diretos das empresas do Setor, estiveram neste evento o novo presidente do conselho de administração da Somague, Rui Vieira, e o administrado da Mota-Engil, Mário Barros. Da intervenção daquele primeiro responsável, salienta-se a afirmação de que “a enorme cadeia de inovação que a Construção detém é fator determinante na competitividade de todas as empresas da fileira, desde os materiais até à engenharia”. Mário Barros enfatizou a importância que a “harmonização política e fiscal desempenha em todo este processo, independentemente de todo o investimento que se faça e da interação que se promova entre entidades empresariais, científicas, académicas e tecnológicas”. A propósito, criticou o facto de o Código dos Contratos Públicos, demasiado assente no fator preço, desencorajar, por essa via, a aposta das empresas na inovação e desenvolvimento, “empurrando-as” antes para opções mais facilitadoras da sua “sobrevivência”.

O papel essencial da inovação numa estratégia de diferenciação foi, por seu lado, um dos aspetos realçados por Mário Barros, que lamentou a perda vertiginosa do conhecimento e experiência acumulados pelas empresas da indústria da construção e que está associada à destruição do emprego decorrente da crise que afeta o Setor.

O 2º Fórum PTPC foi também uma ocasião para a divulgação pública dos principais projetos e iniciativas desenvolvidos pela Plataforma ao longo do último ano em áreas tão diversas como o BIM-Building Information Model, a Reabilitação, os Pavimentos Rodoviários, as Tecnologias de Informação na Construção, as Barragens, a Qualidade, Segurança e Ambiente e a Geotecnia e Fundações.

Aos responsáveis dos grupos de trabalho de cada uma destas áreas coube explicar como é que tais projetos e iniciativas podem contribuir para a afirmação da inovação na Construção portuguesa e, também, para a criação de mecanismos de “exportação em bloco” desta Indústria sustentada na racionalização de processos, na incorporação de novas tecnologias e numa dinâmica colaborativa, um dos principais focos da ação da Plataforma.