Entrevista Exclusiva | Bastonário da Ordem dos Engenheiros no AEC Fórum 2025 – PTPC/Cluster AEC

Entrevista Exclusiva | Bastonário da Ordem dos Engenheiros no AEC Fórum 2025 – PTPC/Cluster AEC

É com grande satisfação que partilhamos a entrevista exclusiva com Fernando de Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, realizada no âmbito do AEC Fórum 2025, promovido pela PTPC / Cluster AEC.

Nesta conversa, o Bastonário destacou o papel da Ordem dos Engenheiros enquanto entidade reguladora, promotora da qualificação e defensora do interesse público, contribuindo para uma engenharia responsável, segura, inovadora e sustentável.

 

 

Convidamo-lo(a) a ler e a partilhar esta reflexão essencial para todos os profissionais e estudantes da área.

 

 

🎤 Entrevista ao Senhor Bastonário Fernando de Almeida Santos no AEC Fórum 2025

 

 

  1. Num momento em que o setor AEC enfrenta uma transformação digital e uma transição ambiental, que papel considera que os engenheiros devem assumir na liderança desta mudança?

 

A transformação que o setor AEC, e não só, está a atravessar exige capacidade Técnica, visão integrada e responsabilidade social. Os engenheiros, pela formação que possuem e pela natureza social da sua intervenção, devem assumir um papel central de liderança na orientação desta mudança, assegurando que as soluções adotadas são tecnicamente sólidas, ambientalmente responsáveis e socialmente equilibradas.

 

A Ordem dos Engenheiros entende que cabe aos engenheiros garantir que esta evolução decorre com rigor científico, com planeamento adequado e com salvaguarda do interesse público. A sustentabilidade e a digitalização não devem ser vistas apenas como tendências, mas como fatores estruturantes para o futuro do setor e para a competitividade do país.

 

 

  1. Como é que a Ordem dos Engenheiros está a apoiar os seus membros na adoção de práticas mais sustentáveis e na integração de critérios ESG (ambientais, sociais e governance) nos projetos e intervenções de engenharia?

 

A Ordem dos Engenheiros tem vindo a integrar, de forma progressiva, os princípios ESG e os objetivos de sustentabilidade nas suas orientações, na formação contínua que oferece aos membros e internamente, aos seus colaboradores, estando fortemente comprometida com estas questões, o que está bem patente na preocupação em atingir e manter a certificação em Qualidade, Ambiente e Segurança (NP EN ISO 9001, NP EN ISO 14001 e NP ISO 45001).

 

Temos desenvolvido um conjunto de iniciativas, nomeadamente ações de formação, debates técnicos, grupos de trabalho especializados e parcerias com entidades científicas e institucionais, com o objetivo de capacitar os engenheiros para uma atuação mais responsável e alinhada com os desafios ambientais, sociais e éticos que se colocam hoje à engenharia.

 

Continuaremos a valorizar uma atuação profissional assente na ética, no conhecimento e na responsabilidade, pilares fundamentais para garantir soluções seguras, eficientes e sustentáveis.

 

 

  1. Com a rápida evolução tecnológica, desde o BIM à inteligência artificial, de que forma a Ordem promove a atualização contínua das competências dos engenheiros portugueses?

 

A qualificação ao longo da vida é uma prioridade estratégica para a Ordem. Temos vários projetos pioneiros a nível nacional e internacional, como sejam o VALORe e o Plano Estratégico da Profissão que demonstram isso mesmo. A rápida evolução tecnológica, na qual se inclui o BIM ou a inteligência artificial, exige uma atualização permanente de competências.

 

Nesse sentido, temos reforçado a oferta de formação especializada, promovido eventos técnicos e científicos, apoiado programas educativos e estabelecido parcerias com instituições de ensino e com o ecossistema científico e tecnológico. O objetivo é assegurar que os nossos membros mantêm um elevado nível de competência, alinhado com as exigências do mercado e com os padrões internacionais de excelência.

 

 

  1. Que grandes desafios e oportunidades antecipa para a engenharia portuguesa nos próximos 5 a 10 anos, especialmente no contexto da digitalização e da transição energética?

 

A próxima década será marcada por grandes desafios, nomeadamente a necessidade de acelerar a transição energética, de consolidar a digitalização do setor, de reforçar a competitividade das empresas e de assegurar a atração e retenção de talento qualificado.

 

Simultaneamente, existem oportunidades muito relevantes associadas à Descarbonização, à economia circular, à industrialização da construção, às infraestruturas inteligentes, às energias renováveis e à reabilitação sustentável do Território. Portugal reúne condições para se posicionar de forma competitiva nesta nova agenda, desde que exista capacidade de colaboração entre Estado, academia, empresas e profissionais.

 

 

A Ordem dos Engenheiros continuará a assumir o seu papel enquanto entidade reguladora, promotora da qualificação e defensora do interesse público, contribuindo para uma engenharia responsável, segura, inovadora e sustentável.

 

 

Agradecemos ao Senhor Bastonário Fernando de Almeida Santos, pela disponibilidade e pela partilha de uma visão estratégica, tão relevante para o futuro da engenharia em Portugal.